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terça-feira, 29 de abril de 2008

Libélula


Dividia o asfalto de ponta a ponta para que durante a viagem pudesse sentir meus passos (esse era o objetivo do meu desejo).
Observando os corações expostos, contava as noites que não podia contar, impossibilitado de fugir no interior da escuridão...hoje, fazia de conta que dormia a ponto de morrer.
Admirava a flor da metrópole, andava de norte a norte com uma fina maleta de viagem e enquanto mordia a areia cristalizada via a honestidade que estava escondida.
A essa hora tudo tornava-se um desespero que penetrava nos ossos...
A felicidade da libélula...para onde? Para onde você voaria?
Ah, a felicidade da libélula...se estivesse sorrindo, sairia da língua...
A partir de amanhã o vento do inverno apagaria quem estivesse ao meu lado, mas mesmo assim, eu ficaria envergonhado e, descalço, sentiria frio e contaria as noites solitárias.
Porém, nesta cidade eu amaria e para esta cidade eu iria...a ponto de morrer...
Admirava os idiotas daqui: em pé com uma cara de quem não sabe de nada, sentados de qualquer jeito na metrópole maldosa, pendurando uma garrafa de indignação (a metade seria penetrada nos ossos).
Ah, a felicidade da libélula...para onde você voaria?

Ouvindo: O amanhã Colorido - Cidadão Quem.

Um comentário:

Anônimo disse...

O amanha colorido....
é só isto que peço !!!!!
bjs no coração